Receitas Saudáveis para seu Cão — eBook
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Publicado por Jefferson Peixoto • Página original do produto na Hotmart

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Capítulo 36 - O Vizinho que Queria Me Levar

Meu lugar não se compra nem se leva: está firmemente guardado no coração do meu menino.

Capítulo 36 - O Vizinho que Queria Me Levar

Eu sou Sombra, o fiel companheiro de Diego, e a vida não tem sido senão uma sequência de manhãs serenas e abraços calorosos. Na casa em que moramos, cada dia começa como um convite à alegria: o sol invade a varanda onde espero a voz do meu menino, e ele me acorda com carinho antes mesmo que eu abra os olhos completamente. Corro em círculos em torno da nossa cama, abanando o rabo, porque sei que meu dia começará com cafunés e comida gostosa. Depois do abrigo dos lençóis, estico minhas patas na grama fresca do quintal, inspirando o cheiro puro da terra molhada e deixando que o vento me conte as notícias do novo dia. Cada som no ar é música: o farfalhar das folhas, o canto discreto de um passarinho, e até o ronco adormecido do cachorrinho do vizinho formam a trilha sonora do meu amanhecer feliz. Meu coração alegre sabe, enquanto balanço o rabo, que estou seguro aqui — amparado por mãos companheiras e um amor que me envolve nos menores detalhes. Muitas noites termino enrolado nas minhas cobertas favoritas, ao lado do calor do corpo de Diego, sabendo que no dia seguinte acordarei nos braços daquele menino que me escolheu como parte da família.

Nos últimos dias, porém, percebi algo diferente no ar. Talvez fosse o cheiro de alguma planta nova no quintal do vizinho, ou apenas uma brisa que trazia um perfume desconhecido, mas notei que, quando Diego saia para a escola, meu olfato ficava atento a outro aroma. Um vulto se movia discretamente do outro lado do portão, e o meu corpo todo ficou alerta. Levantei as orelhas e vi: era o vizinho do outro lado, encostado no cercado, me observando. Sua expressão era calma, quase gentil; porém, havia um brilho de curiosidade em seus olhos que eu não conseguia decifrar. Ele não disse nada, apenas ficou me analisando por alguns segundos antes de acenar timidamente. Era um gesto estranho, feito quase como se me cumprimentasse, e por um instante meu rabo parou de abanar. Eu sabia que tinha despertado sua atenção, e naquele convite silencioso, naquela manhã clara, algo em mim dizia para ficar alerta.

No dia seguinte, ele voltou. Dessa vez, segurava um pote de petiscos caninos nas mãos. Aproximou-se do portão enquanto eu tomava sol no quintal. — “Oi, Sombra! Quer um petisco? Que cão mais bonito!” — disse ele, com um sorriso largo demais. A voz era mansa, mas tão diferente da voz do Diego que um arrepio percorreu a minha espinha. O cheiro do biscoito era delicioso, e minha boca começou a salivar. Eu quis aceitar de imediato: afinal, quem não quer um agrado saboroso? Peguei um biscoito da mão dele cuidadosamente. Enquanto mastigava devagar, observava aquele homem: seus olhos gentis, suas palavras forçadamente doces. Cada mordida parecia ter gosto de observação. Constatei algo estranho: o petisco era bom, mas faltava aquele sabor de casa. Faltava o sabor dos carinhos que recebo. Eu abaixei a cabeça e devorei o biscoito inteiro, guardando na memória o aroma dali. Então me afastei lentamente, levando comigo a certeza de que havia experimentado a gentileza — mas não tinha criado ligação alguma.

Nos dias que se seguiram, o homem repetiu a cena com pequenas variações. Certa manhã, ele apareceu com outra novidade: uma bolinha colorida. Do outro lado do portão, ele fingiu arremessá-la para mim. — “Vai buscar, Sombra!”, chamou, sorrindo. Eu, que adoro correr atrás de bolas, entrei na brincadeira: parti logo atrás da bolinha que quicava sob minhas patas. Mas quando me aproximei, vi que a bola não havia sido arremessada de verdade. O vizinho erguera a perna, segurando-a ainda em sua mão. A brincadeira era só dele. Meu rabo parou de abanar. Corri de volta e coloquei a bolinha aos seus pés, mas ele apenas se agachou do outro lado do portão e ficou me observando brincar sozinho. Eu começava a me sentir como um bobo de rua: corria feliz, ele sorria satisfeito, e ninguém lançava a bola de volta para completar a diversão. Havia algo de vazio naquela cena. A presença de Diego correndo junto, gritando “pegue a bola!”, estava ausente. Aos poucos, percebi que eu era apenas a diversão de um lado. Ele continuava falando comigo com elogios exagerados — elogiava minha pelagem brilhante, meus olhos atentos — e fazia cafuné na cerca, mas cada gesto seu carregava um distanciamento frio. Minha lealdade tentava entender se havia espaço para desconfiança no coração de um cachorro, e meu instinto começou a latir baixinho que algo não ia bem.

Em um desses dias, o ar frio da manhã trouxe o perigo em forma de um gesto brusco. Eu estava perto do portão, curioso por um novo petisco talvez, quando a presença dele se fez ao meu lado. Num instante, o portão entreaberto se abriu. Senti minha atenção se apagar — o homem estava agora ao meu lado, com um sorriso diferente nos lábios e as mãos estendidas. Fez um gesto largo como se dissesse: “Venha cá, fica aqui comigo!”. Meu corpo inteiro travou de pavor. O colo de segurança que Diego me oferece permaneceu distante, e a voz desconhecida do vizinho sussurrava palavras mansas demais. Então as suas mãos se moveram: ele segurou meu colarinho com força. Minha garganta se apertou. Fiquei imóvel por um segundo, tentando avaliar. Meu instinto canino gritou um alarme tão forte que perdeu o tom de manso. Soltei um rosnado baixo de alerta. Ele sorriu de uma forma estranha e tentou me puxar — já não era um pedido gentil, mas um comando. A sensação de perigo invadiu minha mente em frações de segundo. Sem hesitar, arranquei de seu alcance: dei um pulo para trás, com o coração martelando no peito como se fosse explodir.

Corri como nunca. Meu corpo parecia leve, quase flutuando acima do chão. O vento frio chegou em meu focinho e trouxe o cheiro doce do lar, alimentando as asas das minhas patas em disparada. Pela primeira vez, ignorei o cheiro do biscoito que ainda dormia em meu paladar e segui direto rumo à casa. Atravessei o portão com um salto que levou meus medos para fora dali. Nem olhei para trás. Olfatei forte: cada pedaço do quintal conhecido me envolvia em conforto. E então, de repente, como melodia da salvação, ouvi uma voz que me fazia vibrar de emoção:
— Sombra! Cadê você, meu amigo?! —
Era Diego, chamando pelo portão de casa. Meu coração estremeceu de alívio. Enchi os pulmões daquele cheiro forte de pão fresco da cozinha e corri até a porta. Vi as feições espantadas de Diego e Dona Helena — a babá que nos ajudava todos os dias — abrindo a porta com preocupação. Instantes depois, mãos familiares me seguravam firme. Diego exclamava o meu nome com um fio de voz trêmulo e sorriso choroso. Dona Helena, aflita, envolvia meu pescoço com as duas mãos, sentindo cada pancada frenética do meu coração. Deitei na varanda, ainda ofegante, enquanto eles me envolviam num abraço coletivo. Percebi cada toque: a mão de Diego passando delicada no meu pelo, seu cheiro doce passando pelos meus sentidos como bálsamo, suas palavras confortantes soando mais reais do que nunca. Pela primeira vez em dias, soube exatamente onde pertencia. Eu estava em casa, em segurança, protegido pelos braços mais verdadeiros que conheço.

Nos minutos que se seguiram, todos se acercaram de mim. Senti o corpo de Diego se curvar próximo ao meu, seu rosto aliviado colado no topo da minha cabeça. Ele murmurava: “Obrigado por voltar, meu valente menino. Pensei tanto que você se perdeu”. Dona Helena falou comigo num tom carinhoso: “Está tudo bem, amigo, o vizinho lá fora não vai mais te pegar”. Aquele era o conforto que eu precisava. Nenhuma voz naquela hora era tão doce quanto aquela de Diego, nenhum gesto tão sincero quanto aquele abraço. Cada afago que eu recebia era real e quente; nenhum deles era calculado ou forçado. A confiança estava de volta nos olhos de quem eu amava. Deixei meu rabo agitar com força pelo chão, denunciando minha gratidão. Me sentia parte novamente do lugar certo.

Mais tarde, ao me deitar em minha caminha perto do quarto de Diego, pensei nos acontecimentos recentes enquanto a casa se acalmava. O luar entrava pela janela e iluminava a nossa ligação invisível: ali, deitado de lado, pude sentir a presença dele ao meu lado, mesmo no silêncio da noite. Pensei naquele vizinho que quis me levar embora. Quem era aquele homem? Tentei sentir empatia: talvez ele fosse solitário. Imagino que ele não tivesse um menino que corresse ao seu encontro ou um cachorro devotado como eu para lhe fazer companhia. Mas percebi que não posso adivinhar o coração dos outros; só podia comparar o jeito de seu amor com o amor que eu conhecia tão bem. Tudo que ele me ofereceu — biscoitos, elogios, brincadeiras vazias — mostrava-se insuficiente diante do que eu tinha em casa. Lembrei de cada toque verdadeiro de Diego: aquela palma carinhosa no meu pelo e seu riso sincero quando eu fazia ele rir. Agora entendia: por mais doces que sejam os petiscos de um estranho, por mais gentis que sejam as palavras de um homem sozinho, nada poderia me arrancar de quem verdadeiramente me ama. O amor verdadeiro não se compra, não se troca, não se impõe — ele brota na alma de quem já me escolheu.

Nos dias que vieram, senti meu lugar reforçado junto aos meus. Diego ficava ainda mais perto de mim. Muitas vezes, passeávamos um pouco mais na rua ou ele me trazia um brinquedo novo apenas para mostrar que me confiava. Em cada gesto seu, eu percebia a mesma luz de antes: seu olhar suave me dizia que eu era irretocável exatamente do jeito que sou. Do outro lado do muro, o vizinho permaneceu à espreita, às vezes sorrindo e até esticando a mão para me acenar. Mas agora eu já não sentia a mesma curiosidade nem a confusão. Ele era apenas parte de uma sombra no meu caminho — algo que passou e ficou para trás. Nossos laços estavam eternizados a outra distância: a distância dos corações.

Foi assim que, naquela noite tranquila, enquanto apoiava a cabeça nas patas dianteiras e observava Diego dormir pacificamente ao lado, entendi de vez que meu lugar nunca poderia ser comprado ou levado por outro. Eu estou no lar dele — guardado em cada batida do seu coração — e ali tudo é real. Seu cheiro no travesseiro, a batida compassada dos seus passos no assoalho, o compasso da respiração ainda acordada dele perto de mim: essas coisas não têm preço. O vizinho pode até tentar novas gentilezas, mas já não há oferta que me faça vacilar. O menino do qual sou sombra não abre mão de mim, assim como eu não abro mão dele. Sei que o amor incondicional nunca foi um brinquedo que alguém possa roubar ou um gosto que se comprou. Ele é sim, a força silenciosa e invencível que me traz de volta todos os dias para o calor do meu lar.

E assim, com o último pensamento de gratidão, fechei os olhos. Meu lugar estava onde sempre esteve — nos braços do meu menino, onde ninguém pode me levar. Não há coleira forte o bastante nem biscoito tenro que substitua o amor de verdade. Afinal, eu sou Sombra, e aprendi que o amor que me une ao meu dono é o único tesouro que ninguém jamais poderá roubar.


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