Nos giros das rodinhas e nos passos das patas, um amor desfaz fronteiras.
Capítulo 23 - Amor Entre Rodinhas e Patas
Eu nunca imaginei que um simples passeio pela rua pudesse carregar tanto significado. Empurro a cadeira de rodas de Diego com mãos firmes, mas é Sombra, com suas quatro patas inquietas, quem guia nosso pequeno cortejo de afeto e curiosidade. Hoje saímos de casa cedo, o sol mal acariciando as calçadas, e já sinto meu coração aquecido pela cena que se forma: Diego, meu menino, seguro em sua cadeira; Sombra, o fiel companheiro, trotando logo ao lado; e eu, um pai que observa esse amor em movimento com um nó de gratidão na garganta.
No passado, a cadeira de rodas era um símbolo de limites – um lembrete silencioso de tudo o que meu filho não podia fazer. Agora, com Sombra ao lado, essas rodinhas viraram extensão de brincadeira e liberdade. Vejo isso claramente quando dobramos a esquina em direção à padaria: Sombra dá um meio salto alegre e apoia as patas dianteiras no apoio dos pés da cadeira de Diego, como se aquele assento com rodas fosse palco e ele, o artista convidando à interação. Diego solta um som curto – não chega a ser palavra, talvez um suspiro feliz, talvez um riso sem som – e seus olhos brilham como quem diz “vamos em frente”. Eu sorrio. Por um instante, a calçada vira passarela e os olhares que antes eram de pena agora são de surpresa encantada.
Logo nos primeiros metros do passeio notamos as reações. Uma senhora que regava as plantas na varanda detém o regador no ar e acompanha a cena com olhos curiosos. Tem um leve franzir de sobrancelhas – talvez estranhamento ao ver um cão guiando um menino numa cadeira de rodas. Mas então Sombra balança o rabo num ritmo amistoso e a senhora abre um sorriso involuntário. “Que lindos…”, ouço ela murmurar, mesmo à distância. Sombra parece entender; ergue ligeiramente as orelhas em direção à voz gentil e continua marchando com um certo orgulho no peito canino. Ao passar pelo portão dela, cumprimento-a com um aceno de cabeça. Ela retribui, ainda sorrindo. Dentro de mim, algo se ilumina: aquele breve momento – um sorriso trocado – vale mais que mil palavras.
Alguns passos adiante, um grupo de crianças surge correndo pela calçada oposta – mochilas nas costas, uniforme de escola, energia transbordando. Normalmente, poderiam apenas nos contornar em silêncio ou, quem sabe, encarar Diego com a inocente curiosidade (e às vezes crueldade involuntária) que crianças têm diante do diferente. Mas hoje, graças a Sombra, é diferente. Primeiro, uma garotinha de tranças coloridas aponta animada: “Olha, um cachorro!”. Em segundos, três ou quatro crianças atravessam a rua em nossa direção, os rostos acesos de interesse. Eu paro a cadeira, atento – uma parte de mim, protetora, já pronta para intervir caso algo saia do controle.
Sombra, porém, assume a posição de embaixador da alegria. Sentando-se ao lado de Diego, língua de fora e cauda traçando círculos no ar, ele permite que as pequenas mãos o afaguem. “Ele se chama Sombra”, apresento, com voz calma, enquanto meu filho observa a cena com seus olhos faróis, vivos e atentos. Um menino, talvez de oito anos, faz a pergunta que eu já esperava e temia: “Por que ele tá nessa cadeira? Ele pode andar?”. O mundo parece segurar o fôlego um segundo. Sinto o peito apertar – não de vergonha, mas de preocupação sobre como Diego se sente ao ouvir isso. Antes que eu encontre resposta, Sombra levanta uma das patas e a coloca delicadamente sobre o colo de Diego, como se quisesse dizer: “Ei, estou aqui com ele”. O menino de oito anos arregala os olhos diante do gesto do cão. A garotinha de tranças sussurra: “Que fofo… ele abraça o amigo!”. E então, espontaneamente, ela se vira para o menino na cadeira – meu Diego – e lhe oferece o mais doce dos sorrisos. “Seu cachorro é muito legal!”, diz, com a naturalidade de quem fala com qualquer outra criança.
Meu coração quase transborda. Diego pisca lentamente, daquele jeito que é o “sim” dele. Eu conheço meu filho: sei que por dentro ele está radiante. A cadeira agora não importa mais aos pequenos; o que importa é Sombra, e através de Sombra, eles alcançam Diego sem medo. Em poucos minutos, estão todos curiosos: qual é a comida preferida de Sombra, se ele sabe buscar bolinha, se dorme no quarto do “amiguinho dele”. Amiguinho dele. Ouvir uma criança referir-se ao meu filho assim, com tanta facilidade, faz meus olhos arderem. Respondo às perguntas como posso – Diego assiste, participante silencioso desse pequeno encontro mágico. Quando nos despedimos, cada criança acena também para Diego, não apenas para o cachorro ou para mim. E lá vamos nós, continuar nosso caminho, levando junto mais do que pão quente da padaria; levamos esperança renovada.
No horário do almoço, seguimos para a clínica de reabilitação onde Diego faz suas terapias semanais. É um trajeto curto de carro, mas os minutos no trânsito sempre me preocupam – Diego não gosta de barulhos bruscos, e eu costumo ficar tenso, atento a cada farol. Desde que Sombra veio, no entanto, até mesmo o carro virou espaço de calmaria. O cão senta-se no banco de trás, ao lado da cadeira especial presa com cinto de segurança, e mantém o focinho encostado de leve no braço de Diego. Se um ônibus passa ruidoso demais ou se uma moto acelera ao nosso lado, vejo Sombra levantar as orelhas, alerta, e imediatamente Diego relaxa a expressão. É como se a coragem de um passasse para o outro nesse toque sutil. Eu dirijo olhando pelo retrovisor interno e o que vejo me desarma: meu filho sereno, fitando Sombra; Sombra devolvendo o olhar, como quem diz “está tudo bem”. E então percebo que, pela primeira vez em anos, não inicio esse trajeto com o nó familiar do medo no peito. Eu me pego assoviando baixinho junto à música suave do rádio. Sombra deita a cabeça sobre a perna de Diego – é a pose de um guardião que também relaxa, confiante.
Chegamos à clínica e descemos. Lá dentro, a fisioterapeuta nos aguarda na recepção com um sorriso profissional, mas sincero. Já nos conhece bem. Sombra porta uma bandana azul com o nome dele bordado, indicando que é um cão de apoio – ainda assim, algumas pessoas na sala de espera arregalam os olhos. Um garotinho de muletas aponta animado, “Mamãe, olha o cachorro!”. A mãe dele parece hesitar, talvez achando que vai atrapalhar, mas antes que ela diga algo eu aceno concordando: “Quer fazer carinho nele? Pode, ele gosta”. Em segundos, Sombra está aninhado entre as muletas do menino, recebendo cafuné. Enquanto isso, ajeito Diego em sua posição de terapia, conecto os cintos da cadeira para mantê-lo bem posicionado. O garotinho de muletas pergunta a minha esposa – Ana, que hoje nos acompanha – se Diego pode brincar também. Ana sorri aquele sorriso triste-e-feliz de mãe guerreira e explica com voz suave que Diego não pode correr como ele, mas que adora companhia. “Ele fala?”, indaga o menino. Eu me preparo para a habitual explicação, mas, novamente, Sombra me surpreende: deixa o novo amigo e volta até Diego, encostando o focinho no botão colorido preso à bandeja da cadeira – um dos botões do comunicador do meu filho. É o botão que, quando pressionado, emite uma voz eletrônica dizendo “oi”. Diego não consegue apertá-lo sozinho hoje, os bracinhos estão tensos pelo trajeto e pela novidade do ambiente. Mas Sombra entende o que fazer: com o focinho, aplica uma pressão cuidadosa sobre o botão. E então, clara e metálica, ouve-se a palavra “oi” na voz robótica do aparelho.
A fisioterapeuta leva a mão à boca, surpresa. O garotinho solta uma risadinha: “O cachorro falou por ele!”. Sombra, orgulhoso, abana o rabo e olha para mim. Eu apenas consigo piscar rápido para conter a lágrima. É isso. É exatamente isso. Sombra não apenas re-significa a cadeira; ele dá voz ao meu filho quando o mundo não o escuta. Ele late por dois corações – ou, nesse caso, aperta botões por dois. E Diego? Meu menino tem nos olhos uma alegria que dispensa qualquer descrição científica. Sei que mais tarde, durante a sessão, ele se esforçará um pouco mais nos movimentos – a motivação já foi acesa pelo gesto do seu amigo de quatro patas.
A terapia transcorre com Sombra atuando como auxiliar dedicado. Enquanto a fisioterapeuta realiza os exercícios de alongamento e estímulo, Sombra permanece deitado ao lado da maca, a cabeça erguida e atenta a cada expressão de Diego. Quando uma pequena queixa escapa – um gemido baixo sinalizando incômodo – o cão levanta-se de imediato, encostando o focinho na bochecha do menino, quase como um beijo de encorajamento. Eu observo tudo de perto, pronto para intervir se necessário, mas meu papel hoje é mais de espectador maravilhado. Vejo meu filho relaxar novamente assim que sente o toque do amigo peludo. A terapeuta comenta, baixinho, para mim e Ana: “É impressionante… a frequência cardíaca dele quase não oscila com o cão presente. Ele está mais calmo e responsivo”. Concordo com um aceno e um sorriso contido. Dentro de mim, porém, comemoro. Lembro-me de ler em algum lugar que o contato com um animal pode liberar endorfina, diminuir cortisol – palavras técnicas para explicar o que meu coração de pai já sabe há muito: o amor de Sombra faz bem à saúde de Diego, do corpo e da alma.
Terminada a sessão, decidimos aproveitar o resto da tarde para um momento recreativo ao ar livre. O clima está ameno, aquelas tardes douradas de outono que convidam a sentir o mundo. Paramos em um parque tranquilo a caminho de casa. Assim que estaciono o carro e descarrego a cadeira, Sombra já fareja o ar empolgado – ele também sabe que agora é hora de brincar. Ajusto Diego confortavelmente, uma manta fina sobre suas pernas para evitar o ventinho fresco, e entramos no parque por um caminho de pedrinhas. Algumas crianças correm atrás de bolas coloridas mais adiante; há risadas pelo ar. Penso, por um segundo, em como seria ouvir a risada sonora de meu filho misturada àquelas… afasto o pensamento antes que a tristeza chegue. Porque logo vejo Sombra se aproximar da roda dianteira direita da cadeira e dar-lhe um leve empurrãozinho com o focinho, como quem diz “vamos!”. Rindo, atendo ao pedido dele e acelero o passo, simulando uma pequena corrida. As rodinhas chacoalham nas pedrinhas do caminho e Sombra galopa ao lado, língua de fora, feliz.
Diego adora a sensação – sei disso porque seus olhos se arregalam um pouco e, por um instante mágico, ouço um som escapar de sua garganta, um “ah” suave, parecido com riso. É quase nada para quem não conhece, mas para mim é música. Reduzo a velocidade ao chegar perto do gramado e percebo um pai com seu filho nos observando de um banco próximo. O homem tem um leve sorriso no canto dos lábios, e seus olhos – um pouco marejados – me dizem muito. É solidariedade, não piedade. Talvez ele também seja pai e tenha captado a essência do que acaba de presenciar: um menino que não corre com as próprias pernas, mas que vive a liberdade de um passeio rápido graças ao amor combinado de um pai e de um cão. Retribuo o sorriso e aceno. Não trocamos palavra alguma, mas naquele aceno há um respeito mútuo profundo – de pai para pai, de coração para coração.
No gramado, Sombra encontra uma bola abandonada e a traz delicadamente nos dentes, depositando-a sobre o colo de Diego. Meu filho pisca, animado. É um convite impossível de recusar. Pego a bola de suas pernas e lanço a poucos metros à nossa frente. Sombra dispara atrás do brinquedo como um raio negro e bege. Em seguida, retorna troteando de forma engraçada, porque traz a bola e ao mesmo tempo tenta olhar a reação de Diego. Consigo ouvir o riso contido de meu filho outra vez – dessa vez seus lábios não se movem, mas há um brilho de travessura em seus olhos que não deixa dúvidas. “Bom garoto, Sombra!”, digo, afagando as orelhas dele. Lançamos a bola mais algumas vezes, e percebo que, a cada volta, Sombra aproxima um pouco mais a bola da mão de Diego, incentivando-o a tentar pegar. Numa dessas, vejo o dedo indicador de Diego se mexer mínimamente, um reflexo quase imperceptível em direção ao brinquedo amarelo e babado. Ele não consegue agarrá-lo, mas Sombra nota o esforço: em resposta, lambe os dedos do meu filho, como a dizer “vi que você tentou, estou orgulhoso”. Meus olhos se enchem d’água nessa hora. Quantas vezes temi que a cadeira de rodas fosse uma prisão insuperável… e agora, ela é apenas detalhe esquecido na grama enquanto meu filho brinca com seu cão como qualquer criança faria.
Nem tudo, porém, são flores – o mundo lá fora ainda pode ser duro. Enquanto continuamos ali, um grupo de adolescentes passa rindo alto. Um deles lança um olhar demorado demais para Diego. Não é exatamente maldade; está mais para aquele misto de choque e pena mal disfarçada. “Cara, olha o dog e o menino…”, ouço sussurrar para o colega, sem muita discrição. Meu corpo estala em tensão. Sombra também percebe: interrompe a brincadeira, firmando a postura ao meu lado, cabeça erguida. Ele não rosna, não late; apenas encara os jovens com uma serenidade quase humana – quase desafiadora. Os adolescentes sem graça desviam o olhar e seguem caminho, calados agora. Os olhares estranhos ainda existem, penso comigo, sentindo uma leve pontada no peito. Como pai, dói ver alguém enxergar meu filho primeiro pela deficiência. Mas antes que essa emoção escureça nosso fim de tarde, sinto algo quente encostar em minha mão: é Diego, movendo levemente os dedos até tocar minha pele. Ele percebeu meu desconforto, talvez. Agarro sua mão com carinho e me abaixo até ficar com o rosto na altura do dele. Sombra se aproxima e se senta do outro lado, completando nosso pequeno círculo. “Está tudo bem, campeão”, sussurro. Diego pisca uma vez – nosso código para “sim”. E Sombra, em solidariedade silenciosa, lambe minha bochecha, arrancando de mim um riso curto e me distraindo da raiva. Novamente, esse cão sabe exatamente o que fazer com cada emoção que teima em nos derrubar.
A tarde termina com o céu tingido de laranja e uma brisa leve agitando as folhas dos plátanos no parque. Voltamos para casa exaustos e felizes. Ao empurrar a cadeira de Diego de volta pelo portão, reflito sobre tudo que vivemos nessas poucas horas. A calçada que antes era cenário de isolamento tornou-se via de conexão – vizinhos que agora nos cumprimentam pelo nome (o nome de Sombra, principalmente); crianças que aprenderam que um “diferente” pode ser um amigo de aventuras; estranhos que se permitiram nos ver com admiração em vez de dó. A clínica, antes lugar de desafios e às vezes de choro contido, hoje foi palco de aplausos mudos e celebração por cada pequeno progresso. O parque, que tantas vezes observei de longe imaginando meu filho correr, foi enfim palco de risadas sem som e brincadeiras verdadeiras.
Já em casa, preparo Diego para a noite – junto com Ana, dou-lhe banho e troco sua roupa –, enquanto Sombra aguarda pacientemente deitado no tapete do quarto, como sempre faz. Na hora de transferir meu filho para a cama, faço força para erguer seu corpo mole que confia completamente nos meus braços. Sinto um focinho úmido tocar minha panturrilha: Sombra, inquieto, sobe as patas traseiras, oferecendo-se quase para ajudar a carregá-lo. “Está tudo bem, garoto, eu consigo”, digo baixo, sorrindo. Colocamos Diego em sua cama, e Sombra imediatamente pula e se acomoda ao seu lado, aninhando-se com cuidado junto às pernas do menino. Vejo meu filho respirar fundo, o corpo relaxando no colchão ao sentir ali seu companheiro.
Antes de apagar a luz do abajur, fico alguns instantes contemplando a cena: um menino de olhos brilhantes e um cão de coração gigante, dividindo a mesma almofada por um minuto. Sombra ergue a cabeça e me olha, como a confirmar: “Posso ficar?”. “Claro que pode”, sussurro, afagando sua cabeça. Ele se ajeita e coloca a pata dianteira sobre o peito de Diego – um gesto protetor que se repetiu tantas noites e que, ainda assim, toda vez me faz tremer de emoção. É como se Sombra dissesse: “Eu cuido do coração dele enquanto ele dorme”. E talvez diga mesmo, em sua linguagem secreta de afeto.
Eu me sento na beirada da cama, passando a mão pelos cabelos ainda úmidos do meu menino. Diego desvia os olhos para me encarar – nesse olhar quieto vejo refletidos o cansaço bom do dia e uma felicidade serena. “Hoje você voou, filho”, sussurro, a voz falhando sem som. “Com essas rodinhas e essas patas, você voou…”. Sinto minha esposa pousar a mão em meu ombro, também observando, também sentindo. Não precisamos comentar nada um com o outro. Sabemos. Lágrimas silenciosas correm pelo meu rosto, mas não são mais de tristeza como já foram um dia. São de um orgulho e de um amor que não cabem no peito.
Antes de deixar o quarto, lanço um último olhar: Diego já quase cochila, os cílios pesados fechando devagar; Sombra mantém a vigília, os olhos semicerrados, mas as orelhas ainda atentas a qualquer chamado. As rodas da cadeira de Diego, estacionada ali ao lado da cama, refletem a luz suave do abajur. Penso em como aquele objeto já significou noites em claro de preocupação, viagens a hospitais, limites… e como, graças ao amor entre rodinhas e patas, ele agora simboliza caminhos percorridos juntos, aventuras lá fora, vida.
Fecho a porta com cuidado, deixando entreaberto o suficiente para Sombra sair quando quiser. Ao me retirar, levo comigo uma certeza reconfortante: o amor entre meu filho e seu cão quebrou barreiras que eu julgava intransponíveis. Barreiras visíveis, como degraus altos demais ou portas estreitas – hoje superadas pela criatividade e pela ajuda inesperada de estranhos solidários que Sombra cativa. E barreiras invisíveis, aquelas dos preconceitos e dos medos – dissolvidas pouco a pouco cada vez que um par de olhos nos enxerga com compreensão e não com pena.
Eu, que no início dessa jornada me sentia tão sozinho empurrando uma cadeira, hoje caminho acompanhado pela força de dois corações entrelaçados – o do meu filho e o de Sombra, batendo em uníssono, latindo silenciosamente por nós dois. E assim, entre rodinhas e patas, seguimos adiante, desbravando um mundo que já não parece tão inalcançável. Cada passeio, cada olhar trocado na rua, cada sorriso arrancado do silêncio é prova de que amor e esperança podem, sim, andar de mãos dadas – ou melhor, de patas dadas – por qualquer caminho. E eu, como pai, agradeço em silêncio antes de dormir: por mais um dia em que o impossível foi derrotado pelo amor que nos move.
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