Receitas Saudáveis para seu Cão — eBook
eBook • Receitas Caseiras

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Publicado por Jefferson Peixoto • Página original do produto na Hotmart

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Capítulo 11 - Dormir Juntos, Sonhar Juntos

"O sono é a ponte silenciosa onde os corações se encontram sem pedir permissão ao corpo."

Capítulo 11 - Dormir Juntos, Sonhar Juntos

A noite descia sobre a casa como um cobertor morno, costurado de estrelas e sussurros. O dia tinha sido longo — daqueles que pareciam carregar mais horas do que cabia no relógio —, mas não pesado. Foi intenso, cheio de pequenos milagres: o movimento mínimo de um dedo, o arrepio que correu pelo braço de Diego quando Sombra encostou o focinho na sua mão, e o sorriso discreto de Carlos ao vê-lo reagir a um som de sino.

Agora, era hora de dormir. Mas naquela família, dormir não era simplesmente fechar os olhos; era um ritual inteiro, uma coreografia de afeto e cuidado.

Marisa foi a primeira a entrar no quarto. Caminhou devagar, conferindo cada detalhe como se preparasse um palco para a mais importante das peças. A cadeira de rodas já estava posicionada ao lado da cama, com o freio travado e o apoio para os pés erguido. As almofadas estavam no lugar exato, calculadas para manter o corpo de Diego alinhado, mas também acolhido. A manta azul — a preferida dele — estava dobrada sobre o lençol branco.

— Está pronto para o nosso momento? — perguntou ela, tocando levemente a testa do filho.

Diego respondeu com o olhar. Um brilho suave percorreu seus olhos castanhos, como se dissesse “Sim, mas só se for do jeito de sempre”.

Sombra entrou logo depois, silencioso como sombra deve ser. Seus passos eram leves, quase coreografados para não acordar nada que estivesse descansando na casa. Ele deu uma volta curta no quarto, farejando o ar, como quem certifica que tudo está seguro, e então se acomodou no canto, olhando fixamente para Diego. Ainda não era a hora de deitar-se ao lado dele — Sombra sabia exatamente o momento certo de se aproximar.

Carlos veio por último, com a luz mais baixa da casa acesa e um copo de água nas mãos. Ele não dizia muito nessa hora; parecia respeitar um silêncio sagrado que só a noite permitia. Deixou o copo sobre o criado-mudo e puxou a cadeira para perto da cama.

— Hoje foi bonito, filho. Eu vi você tentando sentir cada coisa com a mão… — disse, como quem narra uma história para que ela fique gravada. — E amanhã a gente tenta mais.

Marisa ajeitou o corpo de Diego na cama. Primeiro, soltou o cinto da cadeira, depois passou um braço por baixo das costas dele e outro pelas pernas, movimentando-o com uma firmeza tão suave que parecia um abraço que também é voo. Carlos ajudou, sustentando o peso para que nenhuma articulação fosse forçada. Colocaram-no sobre o colchão devagar, até que o corpo encontrasse o apoio certo.

Era o momento mais delicado: posicionar a cabeça. Marisa ajustou o travesseiro ortopédico, certificando-se de que o pescoço ficava alinhado. Depois, trouxe a manta azul e a espalhou, deixando os pés cobertos, mas soltos o bastante para que o corpo respirasse.

Sombra então levantou e, com a permissão silenciosa de Marisa, saltou para a cama. Não foi um pulo brusco, mas um movimento controlado, como se o colchão fosse terreno sagrado. Ele se deitou primeiro ao lado dos pés de Diego, esticando-se para que seu corpo ficasse paralelo ao do menino.

— Pronto — disse Marisa, sorrindo para o cão. — Agora sim está completo.

O abajur emitia uma luz âmbar que deixava o quarto parecendo mais quente. Do lado de fora, o vento balançava as folhas da mangueira e fazia um ruído que lembrava água correndo.

Foi então que Carlos sugeriu:
— Vamos fazer a nossa história de hoje?

Esse era o último passo do ritual: contar uma história antes de dormir, não para entreter, mas para criar um espaço seguro na imaginação de Diego. A cada noite, a história mudava. Às vezes era sobre um bosque mágico onde um menino e um cachorro descobriam caminhos secretos. Outras, sobre um barco que navegava por mares tranquilos, levando sonhos como carga.

Naquela noite, Carlos começou:

— Era uma vez um menino que tinha um amigo diferente de todos os outros. Não falava, mas sabia ouvir como ninguém. Não abraçava com os braços, mas com o olhar e com a presença. Eles viviam numa casa onde as paredes guardavam segredos bons e o chão sabia o som dos passos de cada um.

Diego o olhava fixamente. Sombra, como se entendesse que estava na história, levantou a cabeça e apoiou-a sobre a perna do menino.

— Uma noite, eles decidiram dormir juntos para sonhar a mesma coisa. O menino queria sonhar que corria, e o cachorro queria sonhar que voava. Eles não sabiam como fazer os sonhos se encontrarem… — Carlos fez uma pausa, olhando para Marisa. — Até que descobriram que, se dormissem encostados, seus sonhos se misturariam.

Marisa completou:
— E naquela noite, no sonho, o menino corria pela praia enquanto o cachorro voava sobre as ondas. E os dois riam tanto que até o mar quis ouvir.

O quarto ficou em silêncio depois disso, um silêncio de aconchego.

Sombra deslizou para mais perto, deitando-se de lado, com o corpo colado ao de Diego, aquecendo-lhe as pernas. Diego fechou os olhos devagar. A respiração dele começou a seguir um ritmo tranquilo, e Sombra sincronizou a sua, como quem jura proteger até no sono.

Marisa se aproximou, beijou a testa do filho e, quase num sussurro, disse:
— Dorme, meu amor. E que hoje o seu sonho seja leve e bonito.

Carlos apagou o abajur, deixando só a luz fraca do corredor. A casa inteira parecia respirar junto com eles.

A madrugada avançou, e, no meio dela, Marisa acordou e foi até o quarto, como sempre fazia. Encontrou a cena que já conhecia, mas que nunca deixava de emocioná-la: Sombra, ainda colado ao filho, com o focinho encostado na mão dele. E, por um instante, jurou ter visto os dedos de Diego moverem-se imperceptivelmente, como se acariciassem o ar entre eles.

Não havia como saber se era reflexo ou sonho. Mas, para ela, pouco importava: dormir juntos, ali, era também sonhar juntos — e isso, por si só, já era milagre.


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